Uma conversa antes do primeiro ciclo com o Lue
Se você chegou aqui, talvez alguma coisa tenha despertado a sua curiosidade. Talvez você já use coletor menstrual e esteja procurando uma experiência melhor. Se for esse o caso, há grandes chances de eu conseguir te ajudar. Ou talvez nunca tenha usado e esteja sentindo uma mistura de vontade, medo e estranhamento. Nesse caso, também estou pronta para te deixar mais tranquila e te ajudar a transformar a sua relação com a menstruação, porque já percorri exatamente esse caminho.
Quando comecei a pesquisar sobre coletores menstruais para desenvolver o Lue, perguntei a muitas mulheres por que elas nunca tinham usado um. As respostas se repetiam: parecia nojento, parecia anti-higiênico, dava medo de não conseguir colocar, dava medo de não conseguir tirar. E eu entendo. A maioria de nós cresceu aprendendo a esconder a menstruação, a trocar absorventes escondidas, a sentir vergonha do sangue e, muitas vezes, a evitar tocar a própria vulva quando está menstruada.
Muitas culturas tratam, inclusive, as mulheres como doentes durante o período menstrual. Ou pior: excluem as mulheres do convívio social nesses dias, o que, para mim, é uma grande maluquice. Embora algumas mulheres sintam mais desconforto durante a menstruação, isso não significa que ela precise limitar a nossa vida. Podemos tomar banho de mar, entrar na piscina, praticar exercícios físicos e, sim, transar. Eu, Dani, gosto bastante. Parece que o meu corpo sente ainda mais os prazeres nesse período. O Lue, porém, não foi desenvolvido para ser utilizado durante a relação sexual. Nesse momento, ele deve ser removido.
Fui me perguntando de onde vem esse nojo que fomos ensinadas a sentir e encontrei uma resposta comum: vivemos numa sociedade que odeia as mulheres. Consequentemente, odiamos tudo relacionado a ser mulher, como a menstruação. Para mim, por isso, é revolucionário quando começamos a mudar isso. A não sentir mais nojo, a ver nosso sangue menstrual como sinônimo de saúde. A viver essa fase do ciclo com mais conforto e leveza. O Lue, tenho certeza, vai te ajudar bastante nisso.
A minha história com o coletor começou pouco antes dos 30 anos. Comprei o meu primeiro em uma farmácia e, como acontece com quase todas as marcas, precisei escolher entre dois tamanhos: um para mulheres com menos de 30 anos e sem filhos e outro para mulheres acima dos 30 ou que já tinham engravidado. Escolhi o menor. Usei o mesmo coletor por muitos e muitos anos. Só parei porque um dia perdi. Acho que enrolei em um papel higiênico para guardar antes de higienizar com cuidado e joguei fora sem perceber.
Na época, tentei convencer minhas irmãs e minha mãe a experimentarem também. A resposta foi praticamente unânime: que nojo. Curiosamente, nenhuma delas achava um absorvente interno nojento. E foi aí que comecei a perceber que a questão nunca foi exatamente o coletor. Era a relação que aprendemos a ter com o nosso próprio corpo. Hoje, minha mãe já entrou na menopausa. E minhas irmãs já não conseguem mais viver sem o Lue. Temos aí uma vitória!
Usar um coletor mudou completamente a forma como vivo a minha menstruação. Não apenas pelo conforto, mas porque comecei a conhecer melhor o meu corpo. Passei a observar meu sangue, entender as diferenças do fluxo ao longo dos dias, perceber como meu corpo se modifica durante o ciclo, quando sinto mais fome, por exemplo, ou quando estou mais inchada. Autoconhecimento é tudo!
Quando perdi meu primeiro coletor, resolvi pesquisar profundamente os produtos disponíveis no mercado. E foi aí que entendi um problema enorme: grande parte deles é simplesmente grande demais. Consequentemente, tornam-se desconfortáveis. Eles dificultam a abertura do copinho dentro do canal vaginal, incomodam e fazem muitas mulheres acreditarem que o problema está nelas, que não sabem usar direito. Mas, muitas vezes, o problema está no produto.
Foi por isso que o Lue nasceu. Da minha busca por criar um coletor menstrual extremamente confortável e prático. Ele foi desenhado para acompanhar as curvas naturais do corpo feminino. Por isso, diferentemente da maior parte dos coletores disponíveis no mercado, ele é curvo, e não reto. Tem um diâmetro de 3,5 cm, que corresponde à média real do canal vaginal das mulheres.
Não sei quem inventou que mulheres mais velhas precisam de coletores menstruais maiores. Talvez tenha sido um homem. E muito menos por que ter filhos seria motivo para trocar de tamanho. Quando comecei a pesquisar esse assunto, procurei estudos que justificassem essa recomendação e simplesmente não encontrei evidências robustas que sustentassem essa divisão. Pelo contrário. As evidências científicas mostram que não há um alargamento fisiológico do canal vaginal ao longo da vida. Em muitos casos, acontece justamente o oposto: as alterações hormonais da pré-menopausa e da menopausa podem provocar uma discreta atrofia vaginal. A experiência do meu grupo de pesquisa confirmou isso na prática. Um coletor bem desenhado faz muito mais diferença do que simplesmente aumentar o seu tamanho.
Existe uma coisa que sempre falo sobre o Lue: ele é tão confortável que você provavelmente vai precisar colocar uma notificação no celular para lembrar de esvaziá-lo. É muito importante que você coloque. Sim, isso já aconteceu comigo. Mais de uma vez. E eu espero que aconteça com você também, porque esquecer que está menstruada é uma liberdade difícil de explicar, mas não por tanto tempo. O ideal é que você esvazie o coletor pelo menos a cada 12 horas.
Antes do primeiro uso, assista ao vídeo abaixo. Ele vai te mostrar como fazer as dobras e a posição correta para você inserir seu Lue no canal vaginal:
Lembrando que você precisa esterilizar antes do primeiro uso e depois do fim de cada ciclo. Por segurança extra, também gosto de esterilizar antes do início do ciclo. E, para ajudar nisso, o copo esterilizador do Lue foi criado.
As formas de esterilizar são:
Micro-ondas
Coloque o seu coletor Lue no copo esterilizador, cubra com água e leve ao micro-ondas por 3 a 5 minutos. Verifique a potência do seu micro-ondas. O ideal é que a água ferva.
No fogão
Utilize uma panela de cerâmica, ferro, inox ou alumínio sem teflon. Não indicamos esterilizar em panelas com teflon e antiaderentes. O ideal é que a panela não tenha nenhum resíduo de gordura ou alimento. Deixe o Lue coberto de água até ferver.
Com hipoclorito de sódio
Essa é minha forma preferida de esterilização porque sinto que ela limpa bem o silicone do copinho e remove todos os resíduos do sangue. Você deve usar hipoclorito de sódio puro, sem perfume, também conhecido como água sanitária, Qboa, entre outros nomes, a depender da cidade. Use o copinho do Lue para medir as proporções. Coloque 15 ml de hipoclorito de sódio dentro do Lue, coloque-o no copo esterilizador e cubra com água. Deixe agir entre 15 e 30 minutos. Depois, lave bem com água corrente até não ter mais nenhum resquício do produto na superfície do Lue. Se preferir, pode ferver antes de usar.
Durante a menstruação, basta esvaziar, lavar com água corrente e, se quiser, usar um sabonete neutro, sem perfume, enxaguando bem antes de recolocar. Não é necessário esterilizar o coletor a cada troca durante o ciclo.
E uma coisa importante: o sangue menstrual não é sujo. Ele é um fluido natural do seu corpo. Quando você esvazia o coletor, o que vê ali é o próprio fluxo menstrual, composto por sangue, tecido do endométrio e secreções naturais do corpo. Ele não está misturado com urina nem com resíduos externos. A ideia de que a menstruação é suja é um tabu cultural que carregamos há gerações, e não uma verdade sobre o nosso corpo.
E uma última coisa importante: não espere que tudo seja perfeito na primeira tentativa. Existe uma curva de aprendizado. Você vai descobrir qual dobra funciona melhor, qual posição para colocar é mais confortável e qual é o seu jeito de remover o coletor com tranquilidade. O corpo aprende. E, quando aprende, dificilmente a gente consegue imaginar como viveu tanto tempo de outro jeito.
Espero que o Lue seja mais do que um coletor menstrual para você. Espero que ele traga muito mais bem-estar para você e que estar menstruada deixe de ser um limitador para seus desejos e vontades.
Com carinho,
Dani Burle
