Por que ainda são poucos os homens ao nosso lado?
Por que ainda são poucos os homens ao nosso lado?

Por que ainda são poucos os homens ao nosso lado?

Ontem não consegui ir à manifestação. Porém, acompanhei com alegria todo o levante em várias cidades do Brasil. Já estive em outras manifestações semelhantes, como as contrárias à revogação do aborto em casos garantidos pela lei, e há algo muito comum nas imagens: poucos são os homens ao nosso lado.

Nas redes, também vemos poucos falando a respeito. Acham que não é um problema deles. Algo completamente sem sentido. Afinal, quem comete a violência?

Já tive muita vontade de me afirmar como uma pessoa não binária. Porque não me enquadro, nem quero me enquadrar, com o que dizem ser homem ou mulher em nossa sociedade. Mas, qual o fato? Como mulher biológica, sofro todas as opressões por nascer mulher: assédios, violências, abusos, medo.

Muito difícil sair da binaridade quando é justamente ela que produz violências. Embora você não performe exatamente o que é ser homem ou mulher de acordo com sua condição de nascimento - e aqui não falo só de estética - é inegável o peso de ser e nascer mulher em nossa sociedade.

E por que os homens não marcham ao nosso lado? Numa dimensão mais superficial podemos pensar o seguinte: que como o problema não é com eles (embora a violência seja cometida por eles) não se importam tanto. Mas sabe o que está no nível mais profundo?

Homens foram educados para entender que as mulheres existem para lhes servir. Que nós somos objetos e eles são sujeitos (principalmente o homem branco). Todas as leis, lutas e movimentos que garantem o direito das mulheres tiram dos homens nosso lugar de objeto. De poder sobre nós. Por isso, há hoje tanto ressentimento dos homens. Porque inegavelmente avançamos.

A grande verdade é que eles não querem perder poder. Por isso, marchar ao nosso lado é um completo contrassenso.

Tirar simbolicamente do imaginário coletivo a mulher do lugar de objeto e os homens do lugar de sujeito também, penso eu, é uma das lutas mais fortes que precisamos travar. E que os homens conscientes estejam, cada vez mais, do nosso lado. E que cada vez mais homens entendam que precisam estar do nosso lado.