Tenho plena consciência do quanto esse papo é difícil. Mas não deixa de ser urgente e necessário. Ainda mais neste ano, em que teremos importantes eleições, tanto para a gestão quanto para o Legislativo dos Estados e da nação.
Para essa conversa, preciso (se você quiser, claro) que tiremos a camisa. A paixão por lados pode nos emburrecer (e não me excluo dessa). Encarar a política de forma mais pragmática pode, penso, nos trazer mais amadurecimento e consciência dos problemas. As redes sociais, por outro lado, têm aprofundado nossa estupidez. Têm colocado em disputa o que não deveria estar.
Vou citar Elena Ferrante mais uma vez. Na tetralogia napolitana, ela demonstra, com brilhantismo, como a disputa política na Itália, no meio do século passado, entre o fascismo e o comunismo gerou violências e nem de longe resolveu o problema de quem mais precisava. E como as mulheres nem eram vistas nesses discursos.
Como ponto de partida, preciso falar no que acredito. Embora toda ideologia deva ser colocada em xeque, inclusive por nós mesmas, é impossível nos dissociarmos das nossas crenças. Para mim, todas as pessoas deveriam ter acesso à riqueza. Educação, saúde, segurança, alimentação, cultura, moradia e oportunidades de trabalho com extrema qualidade. Poder de escolha para viver seus sonhos, desejos, missão. Tempo de descanso.
Os fatos históricos mostram que a qualidade de vida de um povo não é possível sem o desenvolvimento da riqueza de uma nação. E, sim, a distribuição de renda é imprescindível. Mas, para haver uma distribuição de renda efetiva, precisamos ter o que distribuir. Nesse sentido, um dos grandes esforços de nossa política, penso eu, deve ser a geração de uma riqueza sustentável.
E nossa política tem falhado. Tanto as gestões de direita quanto as de esquerda. Parece que não sabemos nem definir estrategicamente o caminho. Como povo, estamos perdendo nosso tempo debatendo migalhas. Para pensar mais sobre, sugiro pesquisar sobre a economia da Dinamarca após a criação do Ozempic e a melhora da qualidade de vida do povo dessa nação. Não que a tecnologia seja o único caminho. Com certeza, as guerras não são.
Concorda que qualquer político ou magistrado é funcionário de uma nação e deve ser cobrado por isso? Pessoalmente, tenho críticas à gestão do presidente Lula em função da geração de riquezas, no desenvolvimento econômico. Houve, inevitavelmente, excelentes iniciativas de distribuição de renda. Mas não houve um projeto conciso de produção de riqueza.
Várias das iniciativas implementadas estão atrapalhando. Como empresária, digo: o aumento expressivo de impostos, a ineficiência dos Correios, a imensa e custosa burocracia fizeram o meu faturamento cair consideravelmente nos últimos anos. Pago hoje um volume de impostos bem menor do que costumava pagar, mesmo pagando percentualmente muito mais. Também reduzi meu quadro de funcionários CLT e colaboradores PJ. Vi empresas que amava fechar. O ambiente para negócios no Brasil é ruim. Isso não é ideologia de direita, é um fato.
Estive na posse de Lula, com chapéu do MST, e não estou arrependida. Estou preocupada. Com Lula, voltamos a ter honra. Trump de volta aos EUA escancara o perigo que enfrentaremos neste ano. Qual é a saída? Não sei… Mas tenho algumas pistas: olhe para a política de Pernambuco (não que seja perfeita), eleja mulheres progressistas, encare a política como ciência. Fatos são fatos, há verdades e há caminhos mais efetivos e já comprovados.



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1 Comente
não votei (e não votaria) no lula, vivi pra ver o mst criticar o trump por invadir a venezuela porque não ele tinha esse direito… pra minha perspectiva (acho que a reflexão pessoal é o objetivo de abrir para os comentários né?) sua mensagem é quase 100% coerente – ainda não sei qual a HONRA “voltamos” a ter, principalmente quando por mais atrozes ou asquerosas que tenham sido as verbalizações do governo bolsonaro, houve MUITA distribuição de auxílios (que também na minha opinião é uma das grandes falhas) pra quem pediu – além até de quem precisava – e passaram um estado com contas equilibradas, hoje somos o país com a maior carga tributária do mundo, o mercado está terrível, não existe mão de obra para manter os serviços abertos porque as pessoas que têm vigor e necessitam NÃO TÊM INTERESSE por inúmeros motivos, sendo eles métodos de ganhar dinheiro muito mais fácil do que ter compromisso, auxílio é um deles… enfim. a liberdade está diretamente relacionada a realização de sonhos, hoje é muito difícil dissociar sonhos da MATERIALIZAÇÃO seja em aquisição de bens e serviços ou simplesmente controle/domínio do ócio/lazer/cultura. em resumo, capital = dinheiro na conta é preciso. para a população geral, você explicitou, o dinheiro não vale mais o mesmo. com quereres mais caros, as pessoas estão mais acostumadas a dever e com prazeres fulgazes menos gostosas de viver. é um enorme problema social. lula só contribuiu com regresso e como ele reage às críticas é notável que ele pretende continuar culpando 4 anos isolados de governo dentro de 20 da sua própria administração.
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