Foto do arcevo pessoal
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Casadas versus solteiras: seria a nova disputa feminina?

Tem também a disputa entre quem escolheu ser mãe e quem não quer. Mas, calma, não estou dizendo que todas as mulheres estão nessa. Na minha bolha, não vejo acontecer. Essa disputa está ocorrendo, especialmente, nas narrativas de muitos conteúdos, inclusive os jornalísticos. E isso nem é novo. Mas traz ares repaginados de modernidade.

A Vogue Britânica lançou, no fim do ano passado, a seguinte matéria: “É vergonhoso ter um namorado hoje em dia?” E esse conteúdo foi exaustivamente debatido nas redes. Por aqui, fiquei reflexiva. Sempre que posto fotos com meu companheiro e meu filho, perco seguidores. Então, fico pensando: deixei de ter valor para algumas das minhas seguidoras? Virei uma traidora das mulheres porque casei com um homem?

Rolando o feed, nos últimos dias, vi uma postagem viralizada de uma mulher relatando se sentir excluída pelas amigas por ser a única solteira aos 40 anos. Os comentários exaltavam experiências semelhantes, assim como o alerta de que, talvez, ela não tenha amigas de verdade.

Em 2025, também debatemos exaustivamente sobre o termo boy sober para quem escolheu não mais se relacionar com homens pela exaustão. Como diz o meme de Dercy Gonçalves, homem é ótimo para quem tem condição de suportar. Não é fácil mesmo.

Todos esses debates são excelentes mecanismos para pensarmos. Com eles, aprofundamos a compreensão de como ainda somos oprimidas. Porém, precisamos ficar atentas: há um jogo antigo, o lugar de disputa feminina. De nos fazerem acreditar que há um caminho único a ser escolhido para sermos lidas com mais valor. E, sim, muitos desses conteúdos nos colocam em disputa. Põem em xeque nossas escolhas.

Cadê a liberdade para viver nossos desejos e vontades? E também respeitar e aceitar os desejos e vontades das outras? E não há desejos fixos, estamos sempre transmutando. Muitas mulheres ainda não avançaram na construção do que são seus desejos e vontades. Na verdade, estamos todas em processo. Para mim, é para essa compreensão que devemos caminhar.

Se livrar das mais diversas armadilhas, como as disputas ou o caminho certo da vez, é o necessário. E, quando achamos que nossa escolha foi melhor que a outra sem nos darmos conta das limitações da outra e também das nossas, pode ser só o nosso ego falando. E o que o ego faz? Nos desvia de nós mesmas.

Envergonhar mulheres por serem quem são e por viverem a vida que escolheram ou conseguiram viver não faz sentido. Nem se achar melhor pela escolha que fez. Pensar sobre si - apenas sobre si - é o mais efetivo. O resto não passa de distração.

Você, com a escolha que fez, está bem? Satisfeita? Gostaria de algo que não tem? É possível construir caminhos para ter o que ainda não tem? Essas são as perguntas. E não se fixar também em um único lugar, porque seu desejo de alma pode mudar.

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