Acho que todo mundo viu a notícia sobre Thiago Schutz, o redpill, preso por violência doméstica e tentativa de estupro e, infelizmente, liberado na sequência. Não surpreende. Dói ver a amplificação de ataques vindos das ideologias praticadas pelos movimentos masculinistas.
Dia desses falei do caso de Alicia Valentina, menina de 11 anos morta por meninos dentro de uma escola no interior de Pernambuco. Na última semana, duas servidoras do CEFET, no Rio de Janeiro, também foram mortas por um colega. Vimos ainda a notícia de uma mulher atropelada, depois arrastada por um quilômetro e meio pelo namorado, que, como consequência, teve as pernas amputadas.
A internet trouxe luz para problemas urgentes das mulheres. Eu, por exemplo, consigo trabalhar falando sobre autonomia, dizendo que não estamos aqui para servir, que somos sujeitos da nossa vida. Exatamente o que os grupos masculinistas tentam conter. Só que, junto aos avanços, vieram retrocessos. A rede também amplificou a voz de homens mesquinhos, socializados para proteger o ego.
Um ego deturpado desumaniza o outro. Classifica mulheres como seres de segunda ordem, como teorizou Simone de Beauvoir. Por isso, não aceitam quando não nos colocamos a serviço. Dizem: “a mim você não nega”. Essa fala de Thiago Schutz enquanto tentava estuprar sua namorada é simbólica em muitos sentidos.
Se queremos transformar essa realidade, precisamos trabalhar a dimensão do ego na educação dos nossos meninos. E também dos homens adultos. Precisamos de movimentos masculinos com essa pauta.
Vivendo com João há quase três anos, percebo esse problema com muito mais concretude. Boa parte dos nossos problemas como casal - e aqui não há ciúmes, controle - está na dificuldade de João de entender o seu ego desajustado. Muito do que não concordo na sua personalidade também opera por esse filtro. E isso é próprio da nossa cultura. Educamos meninos para terem egos exacerbados.
Um ego saudável faz bem. Sustenta a autoestima, dá segurança, ajuda a impor limites. Mas precisamos combinar ego com amor. Para quem entende das energias dos chakras, é equilíbrio entre o 3º e o 4º chakra. Sem o lado amor, desumanizamos, nos tornamos cruéis. Não sabemos proteger a nós nem ao outro.
Mais do que falar sobre o problema, precisamos de saída. Ninguém é obrigado a ser espiritualizado, entender de energias dos chakras ou até acreditar nisso. O que não dá é ignorar que a socialização masculina gira em torno da proteção do ego: não chore, não aceite ser traído, não aceite ser humilhado, e por aí vai. Quando reforçamos esse lugar, reforçamos a violência.
Se queremos outra masculinidade, temos de transformar a cultura. Combater discursos de ódio na internet e em todos os meios. Enquanto a misoginia não for crime e esses “influenciadores” seguirem promovendo esse tipo de mensagem, vão seguir amplificando a violência. Essa pauta precisa virar políticas públicas. Senão, a cada dia, veremos mais mulheres e meninas mortas, violentadas, estupradas. Não podemos só ficar reclamando. Resolver é urgente.



Compartilhe:
1 Comente
Enquanto as leis nao forem mais rígidas a respeito desses atos violência a mulher, nada ira mudar. Precisa de mudanças de consciência, leis e igualdade.
O Perfeito, sem Defeitos vai chegar ao fim
Laser íntimo + Perfeito: recuperação da libido e da autoestima