Já ouviu falar em sexo terral?
Já ouviu falar em sexo terral?

Já ouviu falar em sexo terral?

Na última semana, fiz uma maratona de São João em três cidades: fui para o Boi da Macuca, em Correntes, para Arcoverde e para Caruaru. Nessas duas últimas, assisti ao mesmo show de um artista que desconhecia, Felipe Amorim.

Enquanto performance, achei bastante interessante. Porém, como vários artistas que utilizam essa mesma narrativa, penso que essas músicas de “senta, senta”, “mete, mete”, “rebola”, acabam transformando nossa sexualidade em palco, não em conexão. E o sentir pode se perder.

Para dançar, essas músicas podem ser superdivertidas. E aqui não quero ditar moralmente e esteticamente qual música deve ou não existir. Mas vale ponderar: aprender como expressar nossa sexualidade a partir delas talvez seja, sim, prejudicial. Pode atrapalhar. Ainda mais para os jovens em processo de descoberta.

Veja que curioso: nossa sociedade cria diversos tabus em torno da sexualidade e acabamos escapulindo dessa forma. Amo a música Put@ria, de MC Carol, Rubel, BK e DJ Gabriel do Borel. Acho uma obra de arte. Há muitas letras de funk feministas e revolucionárias, por exemplo. E há também as que são violentas e machistas.

O que penso é: quando o nosso primeiro contato com a sexualidade acontece através da performance nas letras de música ou até da pornografia, ele vai nos distanciando da construção de um prazer real, do sentir. O performar e o sentir, nesse campo, muitas vezes, estão em lados opostos.

No início dos meus vinte anos, fui descobrindo um tipo de sexo que funcionava quase como uma meditação. Não era para fora, era para dentro. Fica até difícil explicar em palavras. Parece com aquele beijo em que tudo ao redor para e você acessa uma dimensão diferente da pessoa que está ao seu lado. Eu o batizei de sexo terral.

Não tenho muitas convicções do porquê de ter chamado dessa forma. Mais tarde, estudando as energias dos chakras, entendi que o chamado chakra sexual, o nosso primeiro, é o grande portal para as energias terrenas. Intuitivamente, talvez o tenha batizado dessa forma por isso.

Também nunca estudei muito a fundo o tantra, mas devem existir alguns conceitos que expliquem essa sensação do sexo terral: a expansão da consciência. E ela ocorre a partir da conexão com o outro, sem precisar de mais nada para isso. Interessante como o sexo pode ser completamente terreno e espiritual ao mesmo tempo.

Para experimentar, foque na respiração, feche os olhos e se volte para dentro. Sem pressa, sem querer parecer gostosa ou a que sabe “sentar”. Para quem quer fazer esse caminho sozinha, a dica é usar os Perfeitos nas velocidades mais baixas e ir aumentando aos poucos, ou nem aumentar. Também é possível usar os Perfeitos a dois. É só sair da ansiedade de ser rápido, de performar. Ir se conectando com você e com o outro, sem ansiedade, só sentindo. E, naturalmente, as energias de prazer da terra, mais intensas e apaziguadoras, vão fluir.