Elenka de Alice Neel
Elenka de Alice Neel

A sua sexualidade serve à sua liberdade?

Por muitos anos pude explorar bastante livremente minha sexualidade. Não posso dizer que outras emoções e carências não a atravessaram, mas eu pude dançar com meu corpo, experimentar o que desejei.

E antes que possam imaginar muito, digo: sou até bem conservadora. Nunca fiz nada que fugisse aos roteiros comuns. E sem problemas também se tivesse. Meu maior desejo era muito mais me sentir livre no meu desejo. Era mergulhar em alguém despretensiosamente sem me afogar. O que para nós, mulheres, pode ser um desafio.

Os homens são ensinados a estar muito mais livres para esse mergulho. Na verdade, são até pressionados (o que também não é saudável). Para mim, não há forma mais bonita do que conhecer alguém transando. Sou do time sexo antes, amor depois. Quando conheci João no Festival de Inverno de Garanhuns, tivemos uns sete dias contínuos de mergulho um no outro. Essa foi nossa primeira linguagem do amor.

Se conseguisse engarrafar esse tesão do início e vender, estaria mais rica que a Dinamarca pós-Ozempic. O tesão louco do início arrefece muito porque, com o tempo, a pesada realidade se sobrepõe à fantasia. Mas, sem dúvidas, há muitas outras vantagens no amadurecimento da relação.

O curioso é como, em determinadas circunstâncias, há uma pressão social para que não façamos muito sexo, mesmo sentindo bastante vontade, e em outros momentos para que transemos sem nenhuma vontade (para, por exemplo, não perdermos o marido). Quando vamos poder viver nossa sexualidade com liberdade?

Não deveríamos colocar nossa sexualidade a serviço da manipulação: essa intenção oculta de não perder ou conquistar alguém, como é ensinado às mulheres. Devemos nos apropriar cada vez mais das nossas vontades como nossas e intransferíveis. Por isso, vale sempre a reflexão: o que quero agora? Qual é minha vontade? E exercer nossa liberdade para segui-la e que se explodam os julgamentos.

Há pessoas com quem já transei que, se passarem do meu lado, não vou lembrar (os red pills piram). Isso fez parte de um momento no qual estava com vontade de explorar possibilidades. De sentir essa liberdade que só é permitida moralmente aos homens. Teve vantagens e desvantagens. O mais importante: pude seguir meu desejo, minha vontade.

Já passei longos períodos sem querer transar com ninguém, ficando só com o Perfeito e foi lindo. Sem urgências. Voltava da night e era feliz com ele. E, no momento em que senti vontade de me relacionar, fluiu. O problema é colocarmos nossa sexualidade - e também o amor que recebemos ou deixamos de receber - como métrica do nosso valor.

Desaprender sobre isso faz parte de construir caminhos mais saudáveis para nossa sexualidade. É ouvir o que desejamos no momento - seja transar mais, menos, explorar sozinha nosso corpo ou não. Lembrando: não estamos aqui para servir crenças do que é uma mulher de valor ou o desejo do outro, estamos aqui para ser e experimentar o que queremos.

1 Comente

  • Elenir Peixoto
    • Elenir Peixoto
    • 6 de fevereiro de 2026 14:47

    Agradeço muito, poder ler os seus textos, fui optimida, mas enfrentei depois sentimentos de culpa, colados em mim. Hoje não. Gratidão ☺️

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