Como se não bastassem todas as culpas do mundo, ainda querem fazer a gente carregar a culpa de “ter baixa libido”. Como se o jeito de acessarmos o nosso prazer fosse igual ao dos homens, treinados para objetificar tudo e todos.
Entenda, querida: seu prazer não é instantâneo. Não é um miojo. Ele precisa de construção. Principalmente quando estamos numa relação a dois, num casamento. A convivência, os conflitos, o cansaço destroem qualquer tesão. E muitos homens também não entendem o processo de nos “esquentar”. Não sabem construir momentos.
Meu desejo normalmente é bem maior antes do período menstrual. Coincide com a queda da progesterona. Muitas mulheres experimentam a mesma sensação na fase ovulatória ou pré-ovulatória. Entender nossos ciclos é vivenciar nossas potências. Para quem quer explorar a ejaculação, por exemplo, é bom perceber qual fase é a mais prazerosa.
Uma coisa curiosa que aconteceu comigo foi que, na semana em que engravidei de Antônio, senti um dos maiores tesões da vida. Deve ter sido por conta da bomba hormonal iniciada com a gravidez. De modo geral, durante a gestação, minha libido esteve em alta. Depois do parto, como é comum, extremamente minguada.
Tirando da conta as alterações hormonais, a libido ficar em baixa quando se tem um bebê revela algo comum a outros momentos. Para nós, mulheres, a construção do desejo demanda, além de sobra de energia e de tempo, um espaço de troca, de segurança e de afeto. O casamento é um dos piores lugares para o sexo porque vivemos numa cultura patriarcal que sobrecarrega e invisibiliza as mulheres.
A grande lição que quero deixar hoje — a mesma que estou construindo para mim — é: você não deve sexo a ninguém. Não é porque casou que é sua obrigação. Se você faz sexo sem vontade, isso vai destruindo o seu desejo. Porque vai criando para si um processo de autoviolência. O corpo sente.
Mas tem umas vezes que a gente inicia o sexo sem aquela vontade toda (não falo de quando a vontade é zero) e, um tempinho depois, o negócio engrena, né? Culpemos o outro e sua falha na construção do momento. Inclusive no que vem bem antes do momento. Ou pode ser só preguiça, cansaço.
Isso acontece porque nós, mulheres, precisamos de tempo, de presença. Minha técnica para ajudar nos inícios é pedir uma massagem, investir nos beijos, nos toques. Lá pelo meio, quase sempre, dou uma acionada nos Perfeitos. Eles ajudam bastante porque priorizam o poderoso clitóris.
Não somos difíceis de agradar. O problema é que nos colocaram no lugar de servir, não de apreciar. E é justamente isso que não devemos mais aceitar. Você merece ser a protagonista do seu prazer e das suas trocas. Viva com plenitude seus momentos. E mande os boys uó se catar!


















Compartilhe:
Homens precisam aprender a ser “mulherzinha”