Entramos no carnaval com o devastador crime de violência contra a mulher, em Itumbiara, Goiás, através do assassinato de seus dois filhos. E saímos com a absolvição do estupro de vulnerável pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Os desembargadores Magid Nauef Lauar e Walner Barbosa Milward de Azevedo entenderam que uma menina de 12 anos tem capacidade de consentir relação sexual com um homem adulto, de 35 anos.
Sinto que, como sociedade, estamos sendo constantemente - através do horror, infelizmente - convidados a olhar de frente para as mais diversas violências que os homens cometem contra as mulheres. Todos os dias notícias indigestas atravessam nossas gargantas para que comecemos a agir.
De forma simples, esse é um problema que demanda soluções. Mas as soluções não são simples, nem podem ser simplistas. Não pode ser colocada, por exemplo, na conta de mães e na forma como elas criam seus filhos. Não pode ser colocada na conta de mulheres que escolhem manter relações com homens e ainda escolhem ter filhos. Não pode ser dito que mulheres deveriam escolher melhor seus homens e os pais dos seus filhos. Não temos esse poder.
Estamos falando de um sistema adoecido que precisa ser integralmente curado. Desde muito cedo, homens aprendem que não devem nunca parecer mulherzinhas. Aprendem que seu valor está no poder de domínio, de subjugar, de objetificar os outros seres e suas relações. Dessa forma, é natural que se tornem monstros violentos.
E não falo isso para inocentá-los. Mas para percebermos que nós, como sociedade, é que somos o problema. A forma cruel como criamos os meninos é o maior dos problemas. Homens não nascem cruéis, eles são moldados para serem cruéis. Não por acaso, tantos se tornaram pedófilos, abusadores, narcisistas, psicopatas.
Penso que o grande problema está na forma como se lapidam os egos masculinos. Como produto dos discursos comuns, produzimos egos frágeis, seres disfuncionais, sem moral, sem caráter. O machismo é uma patologia criada por nossa cultura que afeta a todos na nossa cultura, especialmente as mulheres. Esse é o problema. Não é difícil entendermos globalmente o problema em questão.
No que for possível, vou criar Antônio para ser mulherzinha. Para se importar com os sentimentos dos outros, com o que sua atitude causa nos outros. Vou ensinar que ele tem valor independentemente de coisas externas, como dinheiro, poder, consumo, inclusive de outros seres. Vou lhe ensinar a importância de impor limites, de não ouvir sobre moldes do que ele deve ser, agir ou pensar.
Sei que minha cosmovisão do mundo não será suficiente para ele construir a sua. Tudo nos constrói, tudo o que lemos, vemos, ouvimos, todas as pessoas com quem convivemos. Em todas essas dimensões, o machismo precisa se transformar.
Para todos os homens já formados, que querem mudar - vocês precisam muito mudar -, para todos os homens que querem formar homens diferentes, digo e repito: parem de ser homens e se tornem mulherzinhas. Comecem assumindo as culpas. Parem de delegar responsabilidades. Tornem-se seres de caráter. Olhem para a mesquinhez de seus egos frágeis.

















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Depois do Perfeito, “confusão” de boy virou um grande não!
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