Imagine você chegar a um estádio e encontrar lá um anúncio de dispositivos de prazer para mulheres. Ou ver esse anúncio nos painéis de LED do São João de Caruaru. Essa imagem já pode soar bastante estranha na sua cabeça, imagino. Por outro lado, a propaganda de bets está em todos os cantos: nos anúncios de TV, nos estádios, nas publicidades de festas públicas.
Nas redes sociais, como Instagram, TikTok, YouTube e Google Ads, uma casa de apostas regularizada pode fazer propaganda. Para dispositivos de prazer feminino, existem inúmeras barreiras, e o risco de bloqueios é grande.
Quando tive a ideia de vender o Perfeito sem Defeitos, estruturei meu negócio para que o principal canal de divulgação fossem as redes sociais. Elas foram e são uma das vitrines mais importantes para que eu chegue até você, que me consome e que me lê. A atenção do nosso tempo está nesses espaços.
Assim que comecei a criar as peças publicitárias e todo o processo de divulgação, inclusive através de anúncios, foi extremamente difícil, a ponto de eu pensar em desistir muitas vezes. E hoje, quase quatro anos depois, esse pensamento ainda aparece quase todos os dias, junto com crises de ansiedade quando acontecem bloqueios nas minhas contas de anúncio.
E não estou escrevendo isso para te encher de lamúrias. Não é isso. Apesar de todas as dificuldades, as redes sociais, especialmente o Instagram, têm sido uma das formas mais efetivas de fazer o meu trabalho chegar a muitas pessoas. Se não fosse pelas redes, e também por minha insistência em fazer dar certo, minha vontade de desistir já teria ganhado.
Escrevo sobre isso também porque ontem vi um vídeo da empreendedora Isabela Cerqueira, @beladoceu, da marca Good Vibres, super triste, chorando, porque, segundo ela, a conta de sua empresa no Instagram foi bloqueada sem nenhuma justificativa prévia. Eu me coloco completamente solidária, porque não é justo que nós, mulheres que fazemos esse trabalho de difundir o prazer, a autonomia e o bem-estar feminino, soframos tantos ataques. Para mim, na verdade, é um completo contrassenso.
Recentemente, também fechei parceria com uma profissional de saúde que aborda saúde íntima e sexualidade de forma didática para mulheres. Soube hoje, também com tristeza, que ela vem sofrendo bloqueios, com remoção de conteúdo, no TikTok. Percebe como é grave? Até o acesso ao conhecimento é classificado como conteúdo sensível.
Ao fazer esse trabalho de captar influenciadoras para divulgarem minha marca, tenho percebido: muitas rejeitam a proposta simplesmente por se tratar de um produto que pode ser mal visto por outras marcas em futuras parcerias publicitárias. Eu não estou aqui criticando influenciadoras. Estou questionando esse padrão que classifica produtos íntimos femininos como algo amoral, de menos valor.
O meu sonho é que dispositivos como os Perfeitos, como os vendidos pela Good Vibres e por tantas outras marcas, estejam visíveis e disponíveis em todos os espaços. Nas farmácias, nas lojas de moda e beleza, nos lugares onde as mulheres estão. Não em porões escondidos. Esse movimento já acontece em alguns lugares do mundo. Mas também vivemos retrocessos. No fundo, o que tentamos quebrar é a crença de que mulheres existem para servir. E, quando a gente tenta quebrar essa crença, a resistência fica visível.

















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