Estar com alguém não é desculpa para esquecer do seu autoprazer
Estar com alguém não é desculpa para esquecer do seu autoprazer

Estar com alguém não é desculpa para esquecer do seu autoprazer

Hoje é Dia dos Namorados. Um dia de celebração para muitas pessoas. Para outras, estando sozinhas ou acompanhadas, pode ser um dia de angústia e pensamentos confusos. Hoje quero compartilhar uma filosofia que venho adotando há tempos: estar com alguém, quando se tem um relacionamento bom e seguro, mesmo com todos os desafios, é delicioso, mas não podemos nunca nos esquecer.

Percebo que nós, mulheres, muitas vezes fazemos um caminho de descoberta da nossa sexualidade a partir da presença do outro. Muitas de nós não tiveram uma autorização simbólica para construir um processo de autoconhecimento. Por mais que seja incrível dividir o prazer com o outro, só conseguimos dividi-lo plenamente quando sabemos, por nós mesmas, os caminhos que nos trazem mais prazer.

Na minha história, há algo, talvez, comum à história de muitas mulheres: iniciei o meu percurso de descoberta do prazer sozinha, no início da adolescência; porém, quando comecei a namorar, também na adolescência, simplesmente esqueci o autoprazer por anos e anos. Só retomei quando já era adulta, depois que deixei de ter um parceiro fixo.

Não sei se, na minha cabeça, havia inconscientemente a crença de que ter prazer a sós era coisa de quem não tinha namorado, de que o meu prazer era para ser dividido com alguém. Talvez esse pensamento ainda exista em muitas mulheres.

Quem me chama de mal-amada por vender os Perfeitos deve pensar exatamente dessa forma. E vamos a um fato: muitas mulheres que só viveram o prazer através do outro ainda não têm ideia de toda a sua potência no prazer. Algumas talvez nunca tenham sentido prazer na vida, o que é bem triste.

A nossa libido e a forma como nos conectamos ao prazer, dentro de um campo mais místico e também psicanalítico, falam da forma como vivemos a nossa potência: como criamos, como executamos, como acessamos a alegria e o prazer de forma bastante ampla, e eu também diria a abundância. Vivemos, porém, em uma sociedade que nos empurra compulsoriamente para relacionamentos e, consequentemente, para a apatia.

Na minha vida, vivi exatamente esses ciclos de estar em relacionamentos e me encontrar com a apatia. Talvez toda mulher saiba exatamente do que estou falando. Não sei se sou esperançosa demais, mas, com minha Vênus em Libra, acredito muito na existência de amores saudáveis.

Vou falar uma coisa difícil agora. Espero que você não me interprete mal e me entenda. Porque não é só nossa culpa, é culpa da educação que recebemos. Encontramos a apatia, muitas vezes, porque não sabemos sentir e construir por nós mesmas. Fomos ensinadas a esperar que o outro apenas nos dê.

Ficar na prateleira esperando sermos escolhidas, como fala Valeska Zanello, faz parte dos dispositivos do amor em nossa sociedade. Eu diria que o mesmo acontece com a nossa sexualidade e com o prazer feminino. Não por acaso, nos prendemos a homens, mesmo quando eles são cafajestes ou violentos, quando se tornam a nossa única ponte para o prazer. Ou seja: estando em um relacionamento ou não, viver o seu autoprazer também é uma forma de se proteger. Não esqueça disso!

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