Lembro de, há alguns anos, estar em uma roda de amigos conversando sobre sexo. Um deles se retorceu, fazendo caretas, quando falamos o óbvio: mães transam. Imaginar essa cena lhe causava repulsa. Sua namorada questionou: “E se um dia tivermos um filho?” Até compreendo que a ideia de que nossa própria mãe transe pode não ser muito confortável, já que se trata de algo íntimo. Porém, é curioso como isso recai muito mais sobre as mulheres.
Nessa conversa, chegamos a um lugar óbvio. A repulsa à ideia de que mães transem tem raízes no arquétipo de Maria, aquela que engravidou virgem e nos foi ensinada como modelo de mulher. Na imagem que herdamos, Maria é aquela que suporta, que sofre, que aguenta tudo. Em nenhum lugar vemos essa figura bondosa vivendo uma vida sem sofrimento, com prazer.
Os mitos fundadores da sociedade ocidental raramente nos oferecem figuras de mulheres que não se abneguem, que vivam para si. Mesmo quando nós, mulheres, não somos de fato mães, sempre nos colocam no lugar de maternar, de cuidar.
O problema é que nosso prazer como mães não pode estar centralizado apenas no cuidado. É bom lembrar que também precisamos cuidar de nós mesmas, e isso passa pela forma como lidamos com a nossa sexualidade. Passa por abrir espaço simbólico para o desejo e, na prática, parar de levar o prazer para um lugar de culpa.
Naturalmente, assim que nos tornamos mães, a libido é redirecionada para outras funções e o desejo sexual, por um tempo, pode morrer. Isso é normal. Para mim, demorou um pouco. Fiquei sem desejo por um tempo. Antônio tem um ano e quatro meses agora, parei de amamentar quando ele tinha sete, e sinto que esse desejo está sendo retomado aos poucos. E tudo bem.
O problema é quando pegamos essa ausência de desejo, comum nos primeiros anos de um bebê, e a levamos para a vida, anulando essa parte do nosso ser. Quando isso acontece, pode haver várias razões: sobrecarga, culpa, transtornos emocionais. Sabemos dos imensos pesos que recaem sobre as mulheres. Não é só uma mãe que precisa se permitir gozar, mas uma sociedade inteira que deve abrir espaço para que elas gozem. Isso passa ou não passa por uma mudança de arquétipo?
Eu vivi algo curioso depois que fui mãe. Pessoas da minha família começaram a me julgar quando, por exemplo, eu sentia vontade de sair à noite e encontrar os amigos. Isso revelou um aspecto comum da nossa sociedade. Além da culpa, há também o lugar da não permissão. Isso passa não só pela sexualidade, mas por muitos outros campos do prazer. Sem perceber, eu peguei parte disso para mim e, depois, com consciência, fui tentando me desvencilhar.
Outra coisa que me incomoda é como a consciência sobre os pesos da maternidade, hoje em dia, tem reforçado esse lugar de mãe sofredora. Não precisamos disso, por mais que a sociedade, em muitos lugares, seja injusta conosco e nos faça sofrer. O nosso grande poder está justamente em reverter esse papel. Falo isso de um lugar de muitos privilégios, eu sei. Mas ser mãe também é pura potência. E, como mulher, mais um lugar de resistência.
Ainda tenho me descoberto como mãe e estou amando. Não sei se conseguirei, mas quero ter mais filhos. E, no resgate do meu prazer, adivinha quem esteve comigo? Os Perfeitos, é claro. Teve um momento em que eu estava tão sem libido que me impus um desafio: gozar por 30 dias seguidos. Embora tenha falhado, sinto que isso mudou uma chave. Por isso, hoje deixo um presente para você, mãe ou não mãe. Use o cupom SEJAFELIZ nos Perfeitos, os melhores dispositivos de prazer do planeta.


















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Por que mulheres como Virgínia incomodam tanto?