Tenho observado, nos últimos anos, todas as notícias e fofocas em torno do nome de Virgínia Fonseca com curiosidade. Como empresária, dou uma avaliada em como ela constrói sua marca pessoal e em como isso se expande para suas empresas.
Gostando dela ou não, é impossível negar: Virgínia é um fenômeno dentro do que se considera sucesso no capitalismo. Aos 27 anos, já comanda um negócio de faturamento bilionário. Só no ano passado, a WePink, sua marca de cosméticos, faturou R$ 1,3 bilhão.
Nesse feriado, estava em Natal, no Rio Grande do Norte, e fui a um shopping. Havia fila no quiosque da WePink. Fiquei impressionada. Observo também, com curiosidade, o poder do marketing que Virgínia constrói. E não porque quero adotar a mesma estratégia, mas porque quero aprender com as emoções que ela movimenta.
Tem me incomodado profundamente todo o ódio que Virgínia recebe. Tenho achado injusto. Nenhum homem que faz o que ela faz recebeu tantas críticas. Por exemplo, pelas propagandas de bets. Virgínia tem sido colocada como a culpada de um problema estrutural: o vício em jogos.
Falando em bets, para mim, o problema não é o influenciador fazer propaganda. Podemos considerar imoral, criticar, tal qual quem faz propaganda para álcool. Mas, no fim das contas, se nós, como sociedade, não toleramos bets — sim, na minha opinião, elas não deveriam ser toleradas —, deveríamos estar pedindo a proibição das plataformas ou, pelo menos, a proibição da publicidade direcionada a essas plataformas.
As bets patrocinam festas culturais nas cidades. Aqui em Olinda e Recife, por exemplo, no Carnaval e em outros eventos, como o São João, estão nos estádios, nas propagandas televisivas, nos jornais e nas revistas. Qual é o sentido de pegar toda essa problemática e jogar sobre uma mulher?
Consegue perceber que isso é uma das faces da misoginia? E muitas mulheres reproduzem esse ódio sem nem se dar conta. Não percebem que usam a mesma violência que sofrem. Aqui, falo também das falas de Luana Piovani aos filhos de Virgínia, que foram totalmente descabidas e desrespeitosas.
Vini Júnior, namorado de Virgínia, também faz propaganda para bets. Mesmo sendo um homem negro e sofrendo ataques racistas dentro do universo futebolístico, como homem bem-sucedido, ele não recebe a mesma intolerância. Não o culpabilizam pelo vício em jogos. Virgínia é tão achincalhada que precisou bloquear os comentários em todas as suas redes sociais. Percebe como isso é grave?
Percebe como uma mulher que acessa um lugar de poder é invalidada? A colocam em disputa com outras mulheres, atacam sua maternidade e cobram uma perfeição que não exigem dos homens. Esse ódio é, sim, uma forma de nos paralisar. Quantas mulheres negras influenciadoras e empresárias têm esse mesmo destaque? Você já deve imaginar as razões. A forma como tratam Virgínia é uma aula sobre o que é a misoginia e sobre o tanto que nós, mulheres, precisamos suportar.


















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2 comentários
Reflexão pertinente e importante. O machismo é tão entranhado em nossa estrutura social que só através muita reflexão, muito exercício consciente e muito trabalho de formiguinha como esse seu, nós mulheres teremos chance de minar o efeito pernicioso que ele tem sobre nossas mentalidades.
Sensacional! Me ajudou muito a enxergar melhor essa questão. Eu estava sendo misógina sem perceber. Jurando que era totalmente feminista, rsrs.
Um curso meu ensinando homem a ser homem venderia?
Mães gozam e precisam gozar