Tem dois vídeos virais circulando nas redes que exprimem com exatidão esse problema. Um mostra meninas sendo colocadas para brincar com brinquedos ditos de meninos e reagindo naturalmente. E quando se colocam os meninos com brinquedos ditos de menina, eles reagem com repulsa. O segundo mostra meninos numa barbearia e quando se colocam neles aquelas capas para cortar o cabelo com tema de Barbie, eles arrancam com raiva, se sentindo ofendidos.
João, meu companheiro, trabalha com vendas e fica negociando ao telefone. Eventualmente, ouço conversas e fico com ódio porque não quero que meu filho escute coisas do tipo: apelidos homofóbicos, sexistas e tudo que é comum ao universo masculino.
Aqui em Pernambuco, por exemplo, chamam de Barbie quem torce para o Náutico Futebol Clube. Embora João tenha consciência, é difícil ter um comportamento diferente quando isso existe há décadas. Mudar é mais que necessário.
Não cuidar da casa, dos filhos, não marcar médico, não saber ir sozinho ao supermercado, não ser organizado e estruturado emocionalmente faz parte do mesmo pacote: não acessam o que aprendem que é coisa de mulher. O amor, sentimento humano dos mais sublimes, é também uma dimensão da qual os homens possuem profundas dificuldades, porque também é entendido como coisa de mulher.
Aprender a rejeitar o que é dito como feminino é uma das bases da misoginia, do ódio contra as mulheres. A homofobia, a transfobia, a violência contra as mulheres - embora ela venha muito da ideia de poder, domínio e servidão - também vêm desse lugar.
Localizar esse problema com precisão nos ajuda a ter consciência. E essa consciência precisa estar consolidada em nosso interior para que possamos transformar o agora e, principalmente, a forma como educamos nossas crianças.
Imagina como seria extremamente potente se as escolas fizessem atividades anuais, como fazem para Páscoa, semana da família, jogos escolares, para discutir junto com pais e filhos emoções, machismo e misoginia. Imagina como seria potente se essa temática estivesse presente semanalmente em algumas disciplinas. Será que haveria tanta violência contra meninos e meninas se olhássemos de frente para os problemas?
Para combater discursos de ódio, sou a favor da criminalização da misoginia. Para mudar o futuro, tenho certeza: uma nova consciência implementada através da educação é o melhor caminho.
Parecer mulher, se estivéssemos com uma consciência limpa de ódio e distorções, seria para qualquer homem um grande elogio.


















Compartilhe:
A pornografia deforma e destrói a nossa sexualidade