Calma, essa não é uma crítica ao medicamento. Nem a você querer perder peso, ter um corpo que lhe agrada. Eu mesma faço uso há alguns meses. Nunca engordei tanto na vida como após o parto de Antônio. E não foi durante a gravidez. Foi no pós-parto mesmo. Descontei todo o cansaço nos doces.
Estou fazendo o tratamento com a tirzepatida há 7 meses porque quero ir devagar. Eventualmente, faço pausas de uma, duas semanas. E não tomo perto do fim de semana, como muitas pessoas escolhem, porque, no fim de semana, eu quero poder comer com prazer.
Falo hoje desse tema porque comida e orgasmos têm a ver com prazer. Ter prazer, sentir prazer, para mim, é como construímos também nosso poder como ser. Obviamente, como tudo na vida, precisamos saber dosar. Não podemos passar o dia inteiro comendo, nem transando, nem usando os Perfeitos.
Da mesma forma, não faz sentido buscarmos desenfreadamente um corpo bonito, que atenda aos padrões estéticos, e anularmos os outros prazeres da vida. E não falo só do Mounjaro. Pode ser também sua obsessão pelo corpo perfeito, com ritmo de treinos intensos, substituição dos alimentos por proteínas, por contar toda e qualquer caloria.
Quando estava mais no início do tratamento com tirzepatida, que, inclusive, acho uma tecnologia revolucionária que deve ser o mais rápido possível distribuída no SUS, fui a um restaurante ao qual queria muito ir com João. Pedi um prato delicioso. E não consegui comer nem metade. Aquilo me gerou uma sensação de desprazer absoluto e me deixou triste. Como se a vida tivesse perdido a graça.
Não há pesquisas ainda comprovando isso, mas diversos relatos clínicos sugerem que os agonistas de GLP-1, como o Mounjaro, podem diminuir o interesse por recompensas em geral, inclusive o prazer sexual. Entende como isso é algo a que devemos ficar atentas? Não tem como construirmos nossa autoestima, se é isso que muitas de nós buscamos, entrando num processo de apatia.
Como leonina bem hedônica, acho sem sentido ficar sem prazer. Não quero, não gosto, não assino embaixo. Espalho a palavra do prazer não só com o objetivo de vender os Perfeitos, mas porque o prazer é uma esfera simbolicamente negada às mulheres por séculos e séculos.
Não sentir prazer, não tenho dúvidas, retira o nosso poder, nossa autoestima. Facilita que sejamos vítimas de más escolhas, relacionamentos fracassados, que a gente não se construa como ser autônomo, pleno de vontades e desejos. Por isso, não adianta pesar 50 kg e perder a graça da vida.
E mais uma vez digo: não é uma crítica a quem está buscando emagrecer. Eu também estou nessa. É mais um lembrete: não tire o prazer da sua vida. Gozar todos os dias, se conseguir (eu não tenho conseguido), ou pelo menos algumas vezes por semana, também é fundamental para seu bem-estar e para sua autoestima. Como ferramenta, os Perfeitos são perfeitos para te ajudar nesta nobre missão.


















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