Além da nossa sexualidade ser oprimida, do nosso prazer ser colocado como algo pecaminoso, nós, mulheres, sofremos desde muito novinhas diversos tipos de assédios e violências. Já pensou como isso afeta a forma como encaramos o sexo, o prazer e a nossa sexualidade?
Tenho a hipótese de que, em nossa cultura, a sexualidade feminina se constitui em diálogo com experiências traumáticas. Ou seja: a fundamos em paralelo a traumas. Quero fazer uma pesquisa mais aprofundada sobre e escrever um ensaio. No momento, estou lendo bastante sobre o tema. Se tiverem referências para indicar, aceito. A ideia de criar essa coluna partiu desses estudos que iniciei ano passado.
Conversando com mulheres, ouvindo várias histórias, pensando sobre minhas irmãs, amigas, sobre mim, percebo: diante do trauma que atravessa a nossa sexualidade, nos resta um grande trabalho de reconstrução, de separação, de compreensão do que é nosso e o que é do outro, de um reencontro com o prazer. Todas as violências comuns roubam nosso direito ao prazer.
Para muitas de nós, iniciar um percurso de autodescoberta com os Perfeitos, por exemplo, será suficiente, será grandioso. Outras nem precisam desse caminho. Podem ou não utilizar o produto de forma mais recreativa, sem tantos impactos emocionais (não foi meu caso). Porém, muitas, antes de chegar na abertura do prazer físico, devem trabalhar outras camadas (isso pode acontecer em paralelo ao físico). O trauma é tão profundo que não há abertura emocional para o prazer.
E não sentir prazer afeta todas as áreas da nossa vida. Porque a libido é o que a psicanálise chama de pulsão de vida. Sem a libido, é como se nossa vontade de viver, criar, experimentar, fazer acontecer, sentir prazer, não só sexual, ficasse adormecida.
Percebe o quanto isso nos enfraquece? O quanto nos coloca como presas fáceis de manipulação e domínio? Não conheço tanto de metafísica, mas não sentir prazer deve fazer com que não vibremos alto. Não concordo com o xingamento de “mal comida” porque ele pressupõe a ação do outro, a escolha do outro, e também é uma forma de violência. Mas existe a energia de quem não goza, de quem não aproveita a vida.
Se esse é o seu caso, por favor, não se sinta culpada. Meu objetivo é só te fazer pensar nos porquês. Foi aquela frase “isso não é coisa de moça direita?” Foi por conta de algum abuso? Violência? Foi pelo que sua mãe e as mulheres da sua família passaram? Talvez tenham sido também coisas de vidas passadas e você nem consiga localizar precisamente (não duvido de outras existências).
E, se isso impacta sua vida, o que posso dizer é: há ferramentas. Sou fã da psicanálise. Gosto também de muitos outros tratamentos de transformação de consciência, como thetahealing, florais, entre outros. O interessante é você buscar o que faz sentido para você. Até um bom padre, pastor ou pastora, mestre ou guia espiritual podem contribuir, se esse é seu ponto de contato com a consciência.
Há uma equação simples: você construiu uma trilha neural no seu cérebro para bloquear o prazer diante de todos os traumas, crenças e opressões sofridas, se você deseja mudar, é preciso apenas construir outra trilha. Mudar crenças, calar vozes, culpas, limpar ou lidar com o passado. De repente, me ler aqui, ter comprado os Perfeitos, pode ser o início do caminho, você só precisa perceber como quer seguir.


















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