Esses dias li sobre a morte do filhinho, de apenas 21 meses, de Chimamanda Adichie. Diante do acontecido (ao que tudo indica, foi um erro médico) ela diz: eu nunca irei sobreviver. Curioso, ouvi essa mesma fala num dos episódios da série Modern Love, também diante da morte de um homem pela mulher que o amava.
Ouvir sobre isso na ficção e na realidade, de uma forma bruta, parece ter me trazido respostas que há tempos buscava. Não sei você, mas eu me questiono muito sobre quase tudo. Do porquê, por exemplo, buscamos (ou evitamos) incessantemente o amor.
O amor está para as mulheres como algo compulsório, como se fosse nossa função primária. Aprendemos essa forma de amor - pelo menos a minha geração e muitas outras - nas diversas narrativas. E isso, de fato, cria pontos de desequilíbrio. De servidão feminina. Nos faz sustentar o que não deveria ser sustentado.
Mas qual seria o ponto de equilíbrio? Qual a forma saudável que nós, mulheres, podemos nos relacionar com o amor? E não falo aqui apenas do amor romântico por quem dividimos a vida, a cama. Falo do amor de forma ampla. O amor pelos filhos, pelos familiares, pelos amigos. O amor por dar o que temos de mais bonito.
Descobrir essa medida é um dos grandes trabalhos que fica para nós diante dos desajustes de nossa cultura. Das minhas tentativas e receios, acho bem difícil. Não sei a medida. Porque, muitas vezes, me sinto perdendo, sinto medo de me perder. Me sinto em falta com quem amo.
A palavra perder e os meus medos revelam asperamente o problema. Não é justo que para nós, mulheres, o amor signifique perder. Embora perdas sejam incontroláveis, como aconteceu com Chimamanda, talvez o nosso encontro com formas de amar mais saudáveis seja o amar sem tanto (se) perder.
E por mais que exista esse trabalho em não dar tanto a ponto de nos esvaziarmos, há também um trabalho do outro em sustentar o que precisa ser sustentado. No fim, deixar de amar não parece possível. Talvez até por instinto de sobrevivência. Estamos sempre inventando formas de amar. Amar, talvez, seja tão necessário quanto respirar.
É compreensível que tantas violências, traumas, nos coloquem em rejeição e medo do amor. Que nos façam questionar se deveríamos amar tanto. E não deixa de ser extremamente violento também que tudo isso nos tire o direito ao amor. Questionar faz parte. Nos privar não é o caminho. Há muitas formas de amar.


















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