Uma criança da família acabou de menstruar. Chorou de tristeza. Inclusive, porque já foi impossibilitada de tomar banho de piscina (o que não deveria acontecer). Lembrei do primeiro dia da minha menstruação. Da minha mãe me ensinando, de uma forma meio dura, como usar o absorvente, como colar na calcinha, como jogar no lixo: enrolado e embrulhado no papel para ninguém ver os resquícios do meu sangue.
Não conheço uma mulher que tenha ficado feliz com o evento da primeira menstruação. Para nós, isso significa e significou ser empurrada para casamentos mesmo quando crianças, ter seu corpo ainda mais explorado para abusos, para gerar filhos quando ainda nem têm vontade ou maturidade para criá-los.
Percebe como a primeira menstruação funciona como um marco de mais violências? De perda da liberdade? De poder ser apenas criança? Essa história de dizer que as meninas, quando menstruam, viram “mocinha” revela a dureza desse momento. É quando nos colocam nas prateleiras, como fala Valeska Zanello. Não deveríamos cuidar de nossas meninas dessa forma. Isso é bem triste.
Nunca senti muitas cólicas, mas odiava ficar menstruada. Odiava a sensação de ficar com um absorvente molhado entre as pernas. Me sentia usando fraldas. Tinha uns com mais plástico que também me assavam. E, como prega a nossa sociedade, só estive autorizada a usar absorventes internos após a primeira relação sexual. Afinal, o hímen deve ser preservado. O que também não faz sentido.
Você sabe qual é a função biológica do hímen? Apenas nos proteger de infecções durante o parto. Ou seja: depois que nascemos, ele não serve para mais nada. Pode parecer chocante, mas se eu tiver uma filha (estou avaliando se terei mais um bebê), eu a ensinarei desde o primeiro ciclo a usar coletores menstruais. É muito mais prático, seguro e confortável. Mas, obviamente, isso deve vir em paralelo a outros ensinamentos.
Percebo que muitas mulheres não usam coletores por acharem estranho o processo de colocar e retirar. Como se nosso canal vaginal fosse algo misterioso, perigoso, algo que não pudéssemos tocar ou conhecer. Isso acontece por uma razão: nos distanciam de nos conhecer. Afinal, conhecimento é poder. E não querem que tenhamos poder sobre nós mesmas. Toque, perceba como é seu canal vaginal. Sinta a textura do colo do útero. Isso vai te ajudar muito.
Sempre fui muito curiosa. Desde nova, me investiguei bastante. E não porque nasci numa família favorável. Não havia opressão de religião e coisas do tipo (o que já ajuda muito). Mas havia vergonha, silêncio. Penso que todos esses meus processos servem ao meu propósito, ao meu trabalho com as mulheres.
A partir de hoje, com o pré-lançamento do Lue - um coletor menstrual extremamente anatômico e confortável, junto com um copo esterilizador lindo e chic para você deixar na bancada do seu banheiro - quero explorar ainda mais esses conhecimentos. Não acho justo que menstruar tire nossa liberdade, que nos traga ainda mais desconforto.
Desenvolvi o Lue para mudar o desconhecimento ainda existente sobre os próprios coletores. Os que existem no mercado são, na maioria, grandes, desconfortáveis e têm hastes longas que machucam. Tem um caso curioso: de uma amiga que não conseguia fazer xixi com os coletores comuns porque, em algo, bloqueavam sua uretra, mas consegue tranquilamente com o Lue. Ela testa há 3 anos, faz 3 anos que o desenvolvo, pode confiar: é perfeito. Conto mais detalhes desse pré-lançamento no meu canal de transmissão (clique aqui).


















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1 Comente
Gostei muito do Lue, vou incentivar minha filha para comprá-lo, tudo que você descreveu sobre a menstruação é mais que verdade.Chorei muito. Obrigada
Se arriscamos é porque o amor é também necessário
Estão nos matando mais?