A socialização masculina treina os egos dos homens para o domínio, não do amor ou empatia. É ensinado aos homens que eles têm valor através do que possuem: mulheres, dinheiro, poder. Não o que eles dão para os outros como é para as mulheres.
O horror disso se reflete no fato de que homens desejam possuir crianças ao invés de querer cuidar, amar, proteger. Percebem como a pedofilia é um sintoma revelador da fragilidade do ego masculino? No fato também de que homens preferem matar mulheres do que aceitar o fim de relações, multas vezes, destruídas por eles mesmos. O feminicídio reflete a fragilidade do ego masculino.
Longe de querer proteger criminosos, eles devem ser severamente punidos. Mas, enquanto não olharmos para o real problema de frente, com compreensão, entendimento, a patologia social do machismo não será tratada. Temos que punir e resolver ao mesmo tempo.
Sou mãe de menino. Ao ver esse serzinho tão puro, sinto um medo absurdo do que vão enfiar na sua cabeça. No que me for possível, irei criá-lo para cuidar, para ser empático, para perceber seu valor independente de qualquer bem ou posição. Antônio com um ano já mostra ser um ter uma personalidade marcante. Como todo bebê, ele sente que é o centro do universo. Isso, por enquanto, não é um problema.
Quando ele está chateado ajudo a nomear sentimentos. Digo: filho, você está com sono, precisa descansar a cabecinha. Se ele quer pegar algo e não pode, mesmo se jogando para trás ou dando tapinhas, explico a razão. E reforço: não podemos machucar ninguém, não aceitamos agressões, quando crescer você vai ter mais força física, precisa ter mais responsabilidade. Mas ele também é socializado por outras pessoas, não controlo. Acredita que ensinaram ele a piscar para as mulheres para paquerar? Um horror.
É incrível como a forma de socializar masculina faz muita gente crer que está criando homens fortes quando é o oposto. O self, o Eu, o ego masculino, cria constantemente emoções deturpadas a respeito de si. Nenhum ser em sã consciência é capaz de cometer as atrocidades que os homens cometem. Isso é muito triste. E todos, principalmente nós, mulheres, nossas crianças, são vítimas.
Eu, Daniella, não acredito em soluções simplistas. Não vou jogar isso mais uma vez no colo das mulheres. Tenho recebido críticas que, como feminista, não deveria influenciar as mulheres através da minha vida, por ter um filho e um relacionamento e falar disso. Que casamento e maternidade são a maior ruína das mulheres. Esse, para mim, não é o caminho.
Não importa se você escolhe não se relacionar, de alguma forma você vai lidar com os efeitos da socialização masculina. Viram a notícia sobre a freira Nádia Ganvanski, de 82 anos, estuprada e morta dentro de um convento? A verdade é que nenhuma das nossas escolhas - casar, não casar, ter filhos, não ter - é capaz de nos proteger. Tampouco o conhecimento e consciência que estamos adquirindo.
A mudança só será efetiva quando os homens construírem outro caminho. Quando houver uma mudança profunda nos valores masculinos. O nosso grande desafio como sociedade, das nossas políticas públicas, dos homens e das mulheres conscientes é educar os homens, os já formados (o agora) e os em formação (o nosso futuro) para serem capazes de construir um mundo diferente.

















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