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Descobrir o poder do clitóris muda sua relação com o prazer

Não dá para dizer que o clitóris foi descoberto apenas nas últimas décadas. Ele já era conhecido e nomeado muito antes disso. O que aconteceu é que a medicina só passou a descrevê-lo com precisão anatômica a partir de 1998, quando estudos começaram a corrigir séculos de simplificação sobre a anatomia. Esse fato, por si só, revela a opressão do prazer feminino.

Percebam o absurdo: a clitoridectomia, técnica que consiste na remoção do clitóris, chegou a ser defendida pela medicina do século XIX como tratamento para histeria e como forma de abolir a masturbação, considerada uma prática inadequada e imoral. Hoje, essa violência ainda persiste em regiões onde o prazer feminino segue sendo negado, controlado e punido por normas culturais, sociais e religiosas. Ou seja: sempre souberam que o clitóris é o órgão feminino responsável pelo prazer.

Para quem não sabe, a histeria foi um diagnóstico equivocado usado por muito tempo para enquadrar sintomas físicos, emocionais e comportamentais das mulheres. Simbolicamente, ela expunha, na verdade, o quanto as emoções femininas eram reprimidas, mal compreendidas e moldadas por uma cultura que controla e reprime as mulheres. Conseguem perceber a profundidade desse problema?

Com isso, eu preciso que você entenda uma coisa: é desse lugar que a sexualidade feminina vem. Não tem como não sermos profundamente afetadas por crenças e dogmas que colocam o nosso prazer como algo pecaminoso e imoral. Todos esses registros bloqueiam o nosso prazer.

A castração simbólica do prazer feminino vem sendo feita há muitos séculos, talvez milênios. A historiografia não nos permite afirmar, com precisão, se em algum momento as mulheres puderam viver o prazer com mais liberdade.

O que temos é o registro de algumas culturas, como a de Ruanda, onde ancestralmente se ensina que o prazer feminino vem do clitóris. Lá, homens são ensinados a aplicar técnicas para que as mulheres jorrem, em um símbolo mítico ligado às águas dos lagos da região. Isso, infelizmente, vem mudando com a invasão de religiões protestantes em países da África.

Não é papo de vendedora, mas a verdade é que, nos últimos tempos, com o advento de dispositivos como os Perfeitos, que nos ajudam a acessar o poder do nosso clitóris, muitas mulheres descobriram algo adormecido em seus corpos. E isso promove pequenas e grandes revoluções. Recebo com frequência relatos impressionantes, do primeiro orgasmo à construção de autoestima para sair de relacionamentos abusivos.

Não dá para dizer que a castração do nosso prazer não exista mais. Infelizmente, vivemos uma ascensão de ideias deturpadas sobre o que é ser mulher, sobre o que é feminilidade. O que dá para dizer é: temos avançado. Mas não dá para relaxar. É bom ficarmos atentas.

Acessar o prazer é uma forma de acessar o poder que nos foi negado. Os Perfeitos são só ferramentas facilitadoras. Você pode percorrer outros caminhos. Um dos mais importantes é destruir a crença de que sentir é errado. Você tem esse direito. Reconhecer o poder do clitóris muda tudo!