Quantos homens você viu nas suas redes, no dia de ontem, fazer uma autorreflexão sobre o machismo? Conversar sobre a violência que as mulheres enfrentam? Eu não vi nenhum… a não ser alguns perfis que já abordam a masculinidade. Esse fato já denuncia o abismo do problema que estamos enfrentando.
Um dia, muito revoltada com todas essas notícias frequentes, perguntei com ódio a João o que ele pretendia fazer. A resposta foi: não tenho nada a ver com isso. Na cabeça da maior parte dos homens, é assim: se eles não cometeram o crime, esses atos não dizem sobre eles. Por isso, pensam não haver nada que possam fazer ou dizer. Acham ser suficiente apenas não cometer atrocidades.
Boa parte dos homens não entende que nossa cultura os formatou com uma visão de que mulheres são seres de menor valor e devem servi-los. Os que não são agressores, que não compactuam com estupros e formas mais profundas de violência, não olham para outras violências que cometem. Manipulação, sobrecarga, não responsabilização e performance da incapacidade: todas são formas de violência. Vocês, homens, precisam ter consciência disso.
E o grande dilema na resolução desse problema é que nossa cultura produz “Neymars” em série, homens incapazes de se responsabilizar e de buscar para si, sem que mulheres os obriguem, a cura. Por isso, responsabilizá-los, expor o crime que cometem, envergonhá-los por atitudes terríveis também é mais que necessário.
Mas, talvez, alguns também entendam através da educação, da mudança de perspectiva nas artes narrativas, no consumo de conteúdos que abordam o problema, de filmes, séries, novelas. Eu fiz questão de assistir junto com João à série All Her Fault justamente por isso.
Esperar que os homens mudem é difícil, eu sei. De forma individual, não devemos nos apegar a essa possibilidade de mudança. Coletivamente, porém, penso que essa deva ser a luta. E, sim, temos que ter esperança. Porque, de forma simples, a violência contra as mulheres só vai acabar quando os homens pararem de nos violentar.
Se são os homens que praticaram atrocidades, são eles que devem ser pressionados a se transformar. São eles que devem ser envergonhados por fazer parte de um grupo misógino, adoecido, ego frágil, machista. São os homens que devem ser tratados como burros, estúpidos e irresponsáveis por cometerem o mesmo tipo de erro repetidas vezes. São os homens que devem ser tratados como pedófilos, estupradores, feminicidas, criminosos.
Homens também devem ser cobrados e constrangidos por não fazerem absolutamente nada para mudar o horror que é essa realidade. Homens, se olhem no espelho.

















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