Lembro de, numa sexta-feira, no fim da tarde, receber o contato de uma cliente em pleno desespero porque o marido viu, no celular dela, uma notificação de compra de um Perfeito (o melhor sugador de clitóris que existe) e a ameaçou: sairia de casa se ela não cancelasse a compra.
Histórias como essa chegam com frequência: namorados e maridos que escondem os Perfeitos, que quebram, que dão fim ao cabo carregador. E o que isso revela? Um medo profundo de que essas mulheres se tornem sujeitas do próprio prazer.
Entenda com clareza: não se trata de uma inabilidade masculina, de não entender como nós, mulheres, estamos evoluindo. Eu sei, às vezes tentamos justificar para não ter de lidar com a face terrível de quem amamos. Trata-se, especificamente, da recusa de que a gente saia de um lugar de servidão para um lugar de protagonismo.
Por aqui, ouço também muitas histórias contrárias: homens que incentivam suas mulheres no processo de autodescoberta, que trazem os Perfeitos como um booster para a relação.
Mas vamos ao que interessa: como esses padrões e crenças atravessam a forma como encaramos o prazer? Como essas perspectivas são comuns, formamos nossa sexualidade com base nesses conflitos. Invariavelmente, isso impacta nossas relações, a forma como fazemos sexo e nosso autoprazer. Cria diversos conflitos internos em várias áreas da nossa vida.
Quando ocupamos o lugar de sujeito, de protagonistas dos nossos desejos e vontades, naturalmente não aceitamos mais estar perto de quem nos restringe. Criamos, também naturalmente, mecanismos de autopreservação. Por isso, prefiro dizer o que podemos fazer por nós, em vez de afirmar: “não se relacione com quem não sabe lidar com o seu prazer”. Para chegar nesse lugar, há um caminho.
Em meu processo, sinto que a descoberta dos sugadores de clitóris fez total diferença. Foi através deles que comecei a dissociar a minha sexualidade da presença de outra pessoa. Nunca achei os vibradores penetráveis interessantes. A tecnologia Airpulse dos sugadores foi pensada exatamente para priorizar o nosso poderoso clitóris e dissociar o prazer de algo que remeta ao falo.
Outro dia, conversei com uma compradora do Perfeito que disse o mesmo: o sugador foi uma revolução na sua sexualidade, há um antes e depois. Fico feliz de estar espalhando essa palavra. E vale dizer: não acho que seja a solução de todos os nossos problemas. Quem nos dera que fosse tão fácil. Mas que ajuda a promover revoluções internas, ajuda.


















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