Lembra da primeira vez que você se tocou?
Lembra da primeira vez que você se tocou?

Lembra da primeira vez que você se tocou?

Não lembro exatamente da primeira vez, mas lembro do momento em que começou. Fui educada sexualmente pela revista Capricho. Nunca houve conversa com a família sobre masturbação. E muito pouco com os amigos. Me recordo de, numa roda de meninos e meninas, falarem do uso do chuveirinho. Entre os meninos, porém, o papo era mais frequente. Além de muitos se juntarem para fazer a prática juntos, o que acho bem estranho.

Também não podemos dizer que a descoberta da sexualidade para os homens é algo saudável. Havia e há um estímulo exagerado à performance e à vivência da sexualidade. Há uma pressão que não deveria existir. Essa pressão se relaciona a um papel equivocado do que é ser homem e de como eles devem se comportar. Hoje, isso ainda é atravessado pelo acesso fácil e sem limite à pornografia. O que amplia as inabilidades com o sexo e a violência contra a mulher.

Lendo a revista Capricho, fui entendendo a existência da masturbação e que era saudável se descobrir. Li sobre o orgasmo e fiquei obcecada por experimentar um. Não sabia ainda do poder do clitóris e tudo era meio falocêntrico na época, mesmo quando falávamos de usar os dedos.

Então, como muitas de nós, pressupus que, se queria experimentar um orgasmo, deveria enfiar algo no canal vaginal. E aí vem o problema da desinformação e o que faz a gente usar coisas que não deveríamos. No meu caso, foi uma caneta Bic. Exatamente como uma criança que começa a colocar tudo na boca, inclusive o que não deve e o que é perigoso, em seu processo de descoberta.

Por incrível que pareça, com minha persistência e obsessão, consegui chegar lá com a caneta Bic. Quando surgiram os namorados, não foi tão fácil. Com alguns, conseguia ter orgasmos só na esfregação, no famoso sarro. Mas, quando as coisas foram evoluindo e o sexo foi se tornando mais “adulto”, ou seja, focando na penetração, passei bons anos sem chegar lá.

E o mais curioso é que também não me toquei, nem busquei experimentar orgasmos sozinha. Isso nem passava pela minha cabeça. Só voltei a essa descoberta quando fui fazer intercâmbio e passei a me relacionar a distância. Isso acabou abrindo um mundo de possibilidades para mim.

Aprendi, por exemplo, que não conseguiria chegar lá se não tocasse meu clítoris durante o sexo ou se não estivesse numa posição em que ele fosse friccionado. Hoje, confesso, na maioria das vezes uso os Perfeitos, principalmente o Pro, porque acho mais fácil. Não uso desde o início, só quando sinto vontade de ampliar os sentidos e chegar lá. A tecnologia facilita.

Reassistindo recentemente à série Sex Education, que inclusive é um ótimo material para adolescentes, em algumas das temporadas, a mãe de Otis, Dra. Jean, terapeuta sexual, lança um livro para adolescentes. Pensa como fez e faz falta termos uma educação sexual. Quando ela não existe, são as crenças de imoralidade, o desconhecimento, imagens de performance e imoralidade que nos atravessam. Quais são os bloqueios e distúrbios vindos desse lugar?

Para nós, mulheres, o mais comum é haver bloqueios, seja por crenças de que é errado, imoral ou vulgar, ou ainda vindos das violências e abusos sofridos. Um encontro saudável com a sexualidade pode promover curas poderosas. Pode nos trazer mais poder, autonomia, além de bem-estar e prazer. Hoje te convido a pensar no início da descoberta da sua sexualidade, como ela te trouxe até aqui e o que você ainda sente que pode mudar. E, se precisar de ferramentas, os Perfeitos estão aí para te ajudar.

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